A Laguna de los Tempanos é um passeio pouco conhecido em Ushuaia, mas que está sendo muito procurado ultimamente pelos mais aventureiros. Para nós, é simplesmente o lugar mais incrível de Ushuaia.

A Laguna de los Tempanos não é apenas mais uma lagoa entre tantas outras de Ushuaia. Na base da montanha que fica ao fundo, existe um Glaciar com uma particularidade. Aqui existe a possibilidade de você conhecer e entrar em uma caverna de gelo! Não imaginávamos que existiria alguma coisa assim de forma tão acessível na Patagônia e aqui percebemos que estamos em um local realmente extremo. Sabemos que além das cavernas de gelo do Glaciar Vinciguerra, existem as cavernas do Glaciar Alvear. Elas estão localizadas em uma região mais remota e não tivemos tempo de conhecê-las.

A trilha de acesso para a Laguna de los Tempanos e Glaciar Vinciguerra é longa e possui um desnível de 800 metros de altitude. O caminho é relativamente fácil, mas indicado para pessoas em boas condições físicas, pois o passeio dura o dia inteiro. Não é necessário guia para essa caminhada, a trilha é bem sinalizada, embora um ou outro trecho possa gerar dúvida. Nós fizemos por conta própria, mas recomendamos sempre a utilização de um GPS para essas regiões mais remotas.

Casal dentro da caverna de gelo do glaciar Vinciguerra em Ushuaia, Patagônia Argentina

Como chegar à Laguna de los Tempanos

A Laguna de los Tempanos e Glaciar Vinciguerra ficam em uma região relativamente próxima do centro de Ushuaia. É possível chegar até a entrada da trilha de carro, táxi ou carona. Os transfers não fazem esse roteiro.

Para quem vai por conta própria e não quer gastar muito, pode pegar um ônibus da linha B até a entrada do Vale Andorra. É necessário o cartão SUBE para se locomover de ônibus em Ushuaia.

Da entrada do Vale de Andorra, você pode pedir carona (hacer dedo) ou ir caminhando até a entrada da trilha. São 4km de caminhada subindo por uma estrada de terra.

Trilha da Laguna de los Tempanos e Glaciar Vinciguerra

A trilha até a Laguna de los Tempanos possui 7km (ida) e dura cerca de 3-4 horas. O trecho inicial é um pouco confuso, pois não há sinalização. Passamos primeiramente por uma região de turva (ou turbal), vegetação esponjosa que acumula muita água. Esse trecho inicial é o mesmo da travessia do Cañadon de la Oveja, uma caminhada de dois dias pelas montanhas e vales de Ushuaia.

Após cerca de 20min, devemos seguir para a direita e atravessar um rio largo para começar a trilha da Laguna de los Tempanos. Existem duas pontes, a primeira está caindo aos pedaços e devemos pegar a segunda. Nós só vimos a ponte nova depois de atravessar a primeira.

A trilha é muito agradável e segue um bom tempo pelos bosques típicos da Patagônia. É preciso atenção em alguns trechos, pois a floresta é bem aberta e podemos nos confundir e perder a trilha. O solo nessa região fica bem encharcado e escorregadio depois de chuvas. Existem algumas placas para indicar o caminho, como se fossem pequenas bandeiras presas nas árvores. São tão discretas que muitas vezes podem passar despercebidas.

Trecho escorregadio na trilha para a Laguna de los tempanos em Ushuaia, Patagônia Argentina

Mais ou menos na metade da trilha, existe uma bifurcação para a Laguna Encantada, uma lagoa não tão bonita quanto a atração principal. Nós passamos direto. Após mais um tempo de caminhada, deixamos o bosque para trás e saímos em um descampado com o rio formado pelo degelo do glaciar. Começamos a caminhar pelo campo em meio a montanhas nevadas. O terreno é típico das regiões mais altas da Patagônia, com muitas pedras soltas.

O trecho final até a Laguna é o mais íngreme, mas todo esforço é recompensado quando chegamos a essa imensa lagoa de cor azul turquesa. Tempano significa iceberg e a lagoa tem esse nome, pois comumente possui pequenos blocos de gelo flutuando.

Casal olhando para as montanhas no Glaciar Vinciguerra, Patagônia Argentina

Laguna de los Tempanos e Glaciar Vinciguerra, Patagônia Argentina

Glaciar Vinciguerra

Para chegar até o Glaciar Vinciguerra, devemos atravessar o rio por um caminho de pedras e seguir pela borda direita da lagoa. Caminhamos até a base da montanha ao fundo, com cuidado para atravessar pela neve e gelo. Chegamos até a impressionante entrada da caverna e entramos com cuidado, pois muitas pedras caem pela abertura devido ao degelo. Quando fomos, havia a entrada maior e uma caverna menor à esquerda. As duas formações são impressionantes, uma oportunidade única de conhecer um cenário pitoresco. Ficamos pouco tempo dentro, pois sempre existe um risco dentro em uma caverna de gelo. As formações podem mudar de acordo com a estação, mas estão sempre lá. Nós voltamos caminhando pela estrada após a trilha, mas rapidamente pegamos uma carona até o centro.

Entrada da caverna de gelo do glaciar Vinciguerra em Ushuaia, Patagônia Argentina

Homem dentro da caverna de gelo do glaciar Vinciguerra em Ushuaia, Patagônia Argentina

Veja aqui os detalhes da trilha:

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Com uma mochila nas costas, compartilhamos as belezas e os perrengues do caminho. Juntos desde 2004, descobrimos a paixão pelo mundo outdoor e percorremos grandes circuitos de trekking em diferentes continentes, muitas vezes acampando em lugares remotos e inspiradores. Algumas das maiores aventuras dos últimos anos foram nas trilhas da Patagônia, dos Balcãs ou na Turquia, onde caminhamos 430km em meio a ruínas, montanhas e praias paradisíacas ao longo da Via Lícia. Mostramos também que é possível viajar o mundo com pouco, mesmo em lugares considerados de luxo como Dubai, Paris e Nova York.

14 COMENTÁRIOS

    • Oi, Cris. Tudo bem? Você consegue deixar o carro na entrada da trilha. Acho que é bem tranquilo. Quando voltamos, tinham vários carros estacionados por lá. Grande abraço, Charlico e Larissa!

    • Oi Tiago! Este é um passeio que depende muito das condições climáticas. Mesmo no verão pode nevar e dificultar o acesso. A trilha é longa e com partes mais difíceis. Acreditamos que no inferno a região se torne ainda mais remota. Abraços!

    • Oi, Luciano. Tudo bem? Não alugamos equipamentos. Usamos botas normais de trekking e não tivemos problemas. O solo é bem encharcado, mas fomos com bastões de trekking que ajudaram bastante. Consulte as condições quando for, pergunte na hospedagem como está a trilha em setembro. =) Grande abraço, Charlico e Larissa.

      • Oi Ana Clara. Fomos final de novembro e conseguimos fazer as trilhas, mas não sabemos como são as condições em setembro. Sei que a trilha da Laguna Esmeralda pode ser feita no inverno também. Abraço!

  1. Oi Charlico e Larissa tudo bem? Pretendo fazer um mochilão final do ano para Ushuaia e me interessei por esse trekking. Não tenho experiência com trekking. Pretendo ir em janeiro, será que terá muitas pessoas na trilha? é fácil, para uma pessoa sem muitos conhecimentos.
    Abraços pra vocês. Acompanhando o mochilão.

    • Oi, Laura. Tudo ótimo e você? Obrigada pela mensagem! Em janeiro deve ter mais gente na trilha. Fomos final de novembro e encontramos algumas poucas pessoas. Essa trilha é menos conhecida em Ushuaia, mas vale a pena. A trilha não é difícil, mas é um pouco longa e mais isolada. É bem sinalizada, embora na época tivemos dúvida em alguns pontos. Talvez esteja melhor atualmente. Você vai sozinha ou acompanhada? Se possível, vá acompanhada para minimizar riscos. Grande abraço, Charlico e Larissa!

  2. Olá!! Adorei suas dicas! Não tenho experiência nesse tipo de trilha e acho que posso me sentir perdida, rs. Como vc faz com o GPS? Carrega o mapa offline no celular? Obrigada.

    • Oi Elaine. Tudo bem? Muito obrigada pela mensagem 🙂
      Nós temos um aparelho de GPS e baixamos os mapas e as trilhas antes para facilitar. Mas você também pode seguir a trilha no celular.
      O Maps Me é um ótimo aplicativo de mapas, lá você pode baixar os mapas offline. Usamos com frequência durante as viagens.
      Você também pode usar o aplicativo do Wikiloc para seguir a trilha, mas ele tem poucas funções para usuários que não fazem a conta premium.
      Qualquer dúvida é só falar.
      Grande abraço,
      Charlico e Larissa

    • Oi Adriana, nos perdoe a demora em responder. Esse é um passeio de dia inteiro. A trilha exige um pouco, mas vale muito a pena! Um abraço, Lico e Lari

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